PERFORMATIVIDADE

 

O termo performance que, em inglês, em termos gerais, significa o facto de bem realizar uma qualquer actividade, tem origem no francês antigo parformance. A expressão deverá ser então ser considerada em três dimensões, diferentes mas interligadas, que dizem respeito à execução, ao desempenho e à interpretação.

Assim, entendem-se pela designação de performativas as obras de arte que exigem a presença do artista, cuja criação tem como suporte essencial o seu próprio corpo. Consistem, portanto, num acontecimento, no tempo presente, pelo que se lhes atribui igualmente um caracter efémero e imaterial e, em alguns casos, a designação de happenings ou events.

Neste sentido, consideradas performativas, artes do tempo ou artes rítmicas, a Música, a Dança e o Teatro (Literatura, Poesia). Mas estamos perante um conceito aberto, que não nos parece definível em termos de condições necessárias e suficientes e que deverá ser considerado em complementaridade com o de plasticidade, relativo às artes do espaço, como a Arquitectura, a Pintura e a Escultura. É que as formas de arte performativas tendem para evocar todas as outras artes, envolvendo quase sempre várias acções artísticas distintas: têm uma tendência “multimédia” ou “poliartística”.

A concepção contemporânea do conceito de performatividade remete, então,  inequivocamente, para a ideia de dionisíaco em Nietzsche (A Origem da Tragédia), enquanto “embriaguez” da “arte sem formas” que, em complementaridade com o espírito apolíneo estaria na origem da possibilidade de um Obra de Arte Total.

 

PLASTICIDADE 

O termo “plástico” tem origem no greco πλαστικός e significa a qualidade do que pode ser modelado, algo a que pode ser dada uma forma. Começando por se referir à modelagem em argila, o termo alargou-se às artes da forma e do desenho, que se exprimem essencialmente no espaço.

Assim, entendem-se pela designação de plásticas as obras de arte que têm como principal característica a apresentação através de um suporte material (telas, tinta, pedra, barro, metal...) e que não exigem a presença do artista para serem percepcionadas.

São consideradas plásticas, artes do espaço ou visuais a Arquitectura (dar forma a um edifício, no espaço), a Pintura (criar numa superfície plana figuras ou formas) e a  Escultura (dar forma a um bloco – de pedra madeira, bronze...).

No entanto, depois de Riciotto Canudo ter reiterado que o cinema seria definido pela sua capacidade de síntese entre as artes plásticas e as artes ritmicas, em 1925, o músico Jacques Dalcroze avança com a possibilidade de uma “música plástica”, o que, à semelhança do conceito de performatividade, torna o termo “plástico” igualmente aberto a interferências e contágios mútuos de outras formas de arte. A este respeito deverão recuperar-se as ideias sobre a forma e aparência no espírito apolíneo nietzschiano em A Origem da Tragédia.

 

Bibliografia

CANUDO, Riciotto, L'usine des images, Ofice Central d' Édition, Genève, 1927

NIETZSCHE, Friedrich, O Origem da Targédia

SOURIAU Etienne, Vocabulaire d’Esthétique, PUF, Paris, 1990

 

Ver ainda

SCHOPENHAUER, Arthur, O Mundo Como Vontade e Representação (Livro III)

 

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